Como funciona a energia eólica
Introdução
Pode ser difícil considerá-lo assim, mas
o ar é um fluido como qualquer outro, exceto que suas partículas
estão na forma gasosa em vez de líquida. Quando o ar se move
rapidamente, na forma de vento, essas partículas também movem-se
rapidamente. Esse movimento significa energia cinética, que pode ser
capturada como a energia da água em movimento é capturada por uma
turbina em uma
usina hidrelétrica. No caso de uma
turbina eólica,
as pás da turbina são projetadas para capturar a energia cinética
contida no vento. O resto é praticamente idêntico ao que ocorre em uma
hidrelétrica: quando as pás da turbina capturam a energia do vento e
começam a se mover, elas giram um eixo que une o cubo do rotor a um
gerador. O gerador transforma essa energia rotacional em
eletricidade. Fundamentalmente, gerar eletricidade a partir do vento é só uma questão de transferir energia de um meio para outro.
Toda a energia eólica começa com o sol. Quando o
sol aquece
uma determinada área de terra, o ar ao redor dessa massa de terra
absorve parte desse calor. A uma certa temperatura, esse ar mais
quente começa a se elevar muito rapidamente, pois um determinado
volume de ar quente é mais leve do que um volume igual de ar mais
frio. As partículas de ar que se movem mais rápido (mais quentes)
exercem uma pressão maior do que as partículas que se movem mais
devagar, de modo que são necessárias menos delas para manter a pressão
normal do ar em uma determinada elevação (veja
Como funcionam os balões de ar quente para
aprender mais sobre a temperatura e pressão do ar). Quando este ar
quente mais leve se eleva subitamente, o ar mais frio flui rapidamente
para preencher o espaço vazio deixado. Este ar que velozmente
preenche o espaço vazio é o vento. Se você colocar um objeto - como
uma pá de rotor - no caminho desse vento, o vento irá empurrá-la,
transferindo parte de sua própria energia de movimento para a pá. É
assim que uma turbina eólica captura a energia do vento. A mesma coisa
acontece com um barco à vela. Quando o ar se move empurrando a barreira
da vela, faz o barco se mover. O vento transferiu sua própria energia
de movimento para o barco à vela.
A turbina de energia eólica mais simples possível consiste em três partes fundamentais:
- pás do rotor: as
pás são, basicamente, as velas do sistema. Em sua forma mais
simples, atuam como barreiras para o vento (projetos de pás mais
modernas vão além do método de barreira). Quando o vento força as
pás a se mover, transfere parte de sua energia para o rotor;
- eixo: o eixo da
turbina eólica é conectado ao cubo do rotor. Quando o rotor gira, o
eixo gira junto. Desse modo, o rotor transfere sua energia mecânica
rotacional para o eixo, que está conectado a um gerador elétrico na
outra extremidade;
- gerador: na essência, um gerador é um dispositivo bastante simples, que usa as propriedades daindução eletromagnética para
produzir tensão elétrica - uma diferença de potencial elétrico. A
tensão é, essencialmente, "pressão" elétrica: ela é a força que move
a eletricidade ou corrente elétrica de um ponto para outro. Assim, a
geração de tensão é, de fato, geração de corrente. Um gerador
simples consiste em ímãs e um condutor. O condutor é um fio enrolado
na forma de bobina. Dentro do gerador, o eixo se conecta a um
conjunto de imãs permanentes que circunda a bobina. Na indução
eletromagnética, se você tem um condutor circundado por imãs e uma
dessas partes estiver girando em relação à outra, estará induzindo
tensão no condutor. Quando o rotor gira o eixo, este gira o conjunto
de imãs que, por sua vez, gera tensão na bobina. Essa tensão induz a
circulação de corrente elétrica (geralmente corrente alternada)
através das linhas de energia elétrica para distribuição. Veja Como funcionam os eletroimãs para aprender mais sobre a indução eletromagnética e Como funcionam as usinas hidrelétricas para aprender mais sobre geradores acionados a turbina.
Observe que até agora vimos um
sistema simplificado, porém veremos a moderna tecnologia que você
encontra em fazendas eólicas e quintais de propriedades rurais de hoje.
Ela é um pouco mais complexa, mas os princípios fundamentais são os
mesmos.
História da energia eólica

Foto cedida por GNU.org / Michael Reeve
Moinho de vento Pitstone, que se acredita ser o mais antigo moinho de vento das Ilhas Britânicas
|
Já há quatro milênios as
pessoas usavam a energia eólica na forma de barcos à vela no Egito. As
velas capturavam a energia no vento para empurrar um barco ao
longo da água. Os primeiros moinhos de vento, usados para moer
grãos, surgiram entre 2 mil a.C., na antiga Babilônia, e 200
a.C. na antiga Pérsia, dependendo de para quem se pergunta.
Estes primeiros dispositivos consistiam em uma ou mais vigas de
madeira montadas verticalmente, e em cuja base havia uma pedra
de rebolo fixada ao eixo rotativo que girava com o vento. O
conceito de se usar a energia do vento para moer grãos se
espalhou rapidamente ao longo do Oriente Médio e foi largamente
utilizado antes que o primeiro moinho de vento aparecesse na
Europa. No início do século XI d.C., os cruzados europeus
levaram o conceito para casa e surgiu o moinho de vento do tipo
holandês com o qual estamos familiarizados.
O desenvolvimento da tecnologia
da energia eólica moderna e suas aplicações estavam bem
encaminhados por volta de 1930, quando estimados 600 mil moinhos
de vento abasteciam áreas rurais com eletricidade e serviços de
bombeamento de água. Assim que a distribuição de eletricidade
em larga escala se espalhou para as fazendas e cidades do
interior, o uso de energia eólica nos Estados Unidos começou a
decrescer, mas reviveu depois da escassez de petróleo no início dos anos
70. Nos últimos 30 anos, a pesquisa e o desenvolvimento
variaram com o interesse e incentivos fiscais do governo
federal. Em meados dos anos 80, as turbinas eólicas tinham uma
capacidade nominal máxima de 150 kW. Em 2006, as turbinas em
escala de geração pública comercial têm potência nominal
comumente acima de 1 MW e estão disponíveis em capacidades de até
4 MW. |
A moderna tecnologia de geração eólica
Quando se trata de turbinas eólicas
modernas, há dois projetos principais: as de eixo horizontal e as de
eixo vertical.
Turbinas eólicas de eixo vertical (
TEEVs)
são bastante raras. A única em produção comercial atualmente é a
turbina Darrieus, que se parece um pouco com uma batedeira de ovos.

Fotos cedidas por NREL (esquerda) e Solwind Ltd
Turbinas eólicas de eixo vertical; a da esquerda é uma turbina Darrieus
|
Em uma TEEV, o eixo é montado na
vertical, perpendicular ao solo. Como as TEEVs estão permanentemente
alinhadas com o vento (ao contrário das de eixo horizontal), nenhum
ajuste é necessário quando a direção do vento muda. Entretanto, uma
TEEV não pode começar a se mover por si mesma: ela precisa de um
impulso de seu sistema elétrico para dar partida. Em vez de uma torre,
ela geralmente usa cabos de amarração para sustentação, pois assim a
elevação do rotor é menor. Como menor elevação significa menor
velocidade do vento devido à interferência do solo, as TEEVs
geralmente são menos eficientes que as TEEHs. Como vantagem, todos os
equipamentos se encontram ao nível do solo para facilidade de
instalação e serviços. Mas isso significa uma área de base maior para a
turbina, o que é uma grande desvantagem em áreas de cultivo.

TEEV de projeto Darrieus
|
As TEEVs podem ser usadas para
turbinas de pequena escala e para o bombeamento de água em áreas
rurais, mas todas as turbinas de escala de geração pública produzidas
comercialmente são
turbinas eólicas de eixo horizontal (
TEEHs).

Foto cedida por GNU / Kit Conn
Fazenda eólica na Califórnia
|
Como o nome indica, o eixo da TEEH é
montado horizontalmente, paralelo ao solo. As TEEHs precisam se
alinhar constantemente com o vento, usando um mecanismo de ajuste. O
sistema de ajuste padrão consiste de
motores elétricos e
caixas de engrenagens que movem todo o rotor para a esquerda ou
direita em pequenos incrementos. O controlador eletrônico da turbina
lê a posição de um dispositivo cata-vento (mecânico ou eletrônico) e
ajusta a posição do rotor para capturar o máximo de energia eólica
disponível. As TEEHs usam uma torre para elevar os componentes da
turbina a uma altura ideal para a velocidade do vento (e para que as
pás possam ficar longe do solo) e ocupam muito pouco espaço no solo,
já que todos os componentes estão a até 80 metros de altura.
Componentes de uma grande TEEH:
- pás do rotor: capturam a energia do vento e a convertem em energia rotacional no eixo;
- eixo: transfere a energia rotacional para o gerador;
- nacele: é a carcaça que abriga:
- caixa de engrenagens: aumenta a velocidade do eixo entre o cubo do rotor e o gerador;
- gerador: usa a energia rotacional do eixo para gerar eletricidade usandoeletromagnetismo;
- unidade de controle eletrônico (não
mostrada): monitora o sistema, desliga a turbina em caso de mau
funcionamento e controla o mecanismo de ajuste para alinhamento da
turbina com o vento;
- controlador (não mostrado): move o rotor para alinhá-lo com a direção do vento;
- freios: detêm a rotação do eixo em caso de sobrecarga de energia ou falha no sistema.
- torre: sustenta
o rotor e a nacele, além de erguer todo o conjunto a
uma altura onde as pás possam girar com segurança e distantes do
solo;
- equipamentos elétricos: transmitem a eletricidade do gerador através da torre e controlam os diversos elementos de segurança da turbina.
Do início ao fim, o processo de geração
de eletricidade a partir do vento e distribuição de eletricidade para
os consumidores se parece com isto:
Ao contrário do antigo projeto de
moinho de vento holandês, que dependia muito da força do vento para
colocar as pás em movimento, as turbinas modernas usam princípios
aerodinâmicos mais
sofisticados para capturar a energia do vento com mais eficácia. As
duas forças aerodinâmicas principais que atuam sobre os rotores da
turbina eólica são o
empuxo, que atua perpendicularmente ao fluxo do vento, e o
arrasto, que atua paralelamente ao fluxo do vento.
As pás da turbina têm uma forma parecida com asas de
avião: elas usam um desenho de
aerofólio.
Em um aerofólio, uma das superfícies da pá é um pouco arredondada,
enquanto a outra é relativamente plana. O empuxo é um fenômeno
bastante complexo e pode de fato exigir pós-graduação em matemática ou
física para ser completamente entendido. Mas, simplificando, quando o
vento se desloca sobre uma face arredondada e a favor da pá, ele
precisa se mover mais rápido para atingir a outra extremidade da pá a
tempo de encontrar o vento que se desloca ao longo da face plana e
contra a pá (voltada na direção de onde sopra o vento). Como o ar que
se move mais rápido tende a se elevar na atmosfera, a superfície curvada
e contra o vento gera um bolsão de baixa pressão acima dela. A área
de baixa pressão puxa a pá na direção a favor do vento, um efeito
conhecido como "empuxo". Na dirreção contra o vento da pá, o vento se
move mais devagar e cria uma área de pressão mais elevada que empurra a
pá, tentando diminuir sua velocidade. Como no desenho de uma asa de
avião, uma alta relação de empuxo/arrasto é essencial no projeto de
uma pá de turbina eficiente. As pás da turbina são torcidas, de modo
que elas possam sempre apresentar um ângulo que tire vantagem da
relação ideal da força de empuxo/arrasto. Veja
Como funciona o avião para aprender mais sobre empuxo, arrasto e a aerodinâmica de um aerofólio.
A aerodinâmica não é a única consideração de projeto em jogo na criação de uma turbina eólica eficaz. O
tamanho importa:
quanto maiores as pás da turbina (e, portanto, quanto maior o
diâmetro do rotor), mais energia uma turbina pode capturar do vento e
maior a capacidade de geração de energia elétrica. Falando de modo
geral, dobrar o diâmetro do rotor quadruplica a produção de energia.
Em alguns casos, entretanto, em uma área de menor velocidade do vento,
um rotor de menor diâmetro pode acabar produzindo mais energia do que
um rotor maior. Isso ocorre porque uma estrutura menor consome menos
energia do vento para girar o gerador menor, de modo que a turbina
pode operar a plena capacidade quase o tempo todo. A
altura da torre também
é um fator importante na capacidade de produção. Quanto mais alta a
turbina, mais energia ela pode capturar, visto que a velocidade do
vento aumenta com a altura (o atrito com o solo e os objetos ao nível
do solo interrompem o fluxo do vento). Os cientistas estimam um
aumento de 12% na velocidade do vento cada vez que se dobra a
elevação.
Para calcular a real quantidade de
potência que uma turbina pode gerar a partir do vento, você precisa
conhecer a velocidade do vento no local da turbina e a capacidade
nominal da turbina. A maioria das turbinas grandes produz sua potência
máxima com velocidades do vento ao redor de 15 m/s (54 km/h).
Considerando velocidades do vento estáveis, é o diâmetro do rotor que
determina a quantidade de energia que uma turbina pode gerar. Tenha em
mente que, à medida que o diâmetro de um rotor aumenta, a altura da
torre também aumenta, o que significa maior acesso a ventos mais
rápidos.
|
Tamanho do rotor e geração máxima de potência
|
|
Diâmetro do rotor (metros)
|
Geração de potência (kW)
|
|
10
|
25
|
|
17
|
100
|
|
27
|
225
|
|
33
|
300
|
|
40
|
500
|
|
44
|
600
|
|
48
|
750
|
|
54
|
1000
|
|
64
|
1500
|
|
72
|
2000
|
|
80
|
2500
|
| Fontes: Associação Dinamarquesa da Indústria Eólica, Associação Americana de Energia Eólica |
A 54 km/h, a maioria das grandes
turbinas gera sua capacidade nominal de potência, e a 72 km/h (20
m/s), a maioria das grandes turbinas se desliga. Existem diversos
sistemas de segurança que
podem desligar a turbina se a velocidade do vento ameaçar a
estrutura, incluindo um simples sensor de vibração usado em algumas
turbinas, que consiste basicamente de uma esfera metálica presa a uma
corrente e equilibrada sobre um minúsculo pedestal. Se a turbina
começar a vibrar acima de um certo limite, a esfera cai do pedestal e
puxa a corrente, ativando o mecanismo de desligamento.
Provavelmente, o sistema de segurança mais comumente ativado em uma turbina é o
sistema de "frenagem",
que é ativado por velocidades do vento acima do limite. Esse arranjo
usa um sistema de controle de potência que, essencialmente, aciona os
freios quando a velocidade do vento se eleva em demasia e depois
"libera os freios" quando o vento diminui abaixo de 72 km/h. Os
modernos projetos de grandes turbinas usam diversos tipos diferentes
de sistemas de frenagem.
- Controle de passo: o
controlador eletrônico da turbina monitora a geração de potência.
Com velocidades do vento acima de 72 km/h, a geração de potência
será excessiva, a ponto de o controlador ordenar que as pás alterem seu
passo de modo que fiquem desalinhadas com o vento. Isto diminui a
rotação das pás. Os sistemas de controle de passo requerem que o
ângulo de montagem das pás (no rotor) seja ajustável.
- Controle passivo de perda de eficiência aerodinâmica: as
pás são montadas no rotor em um ângulo fixo, mas são projetadas de
modo que a torção das próprias pás aplique a frenagem quando o vento
for excessivo. As pás estão dispostas em ângulo, assim os ventos
acima de uma certa velocidade causarão turbulência no lado
contrário da pá, induzindo à perda da eficiência aerodinâmica. Em termos
simples, a perda da eficiência aerodinâmica ocorre quando o ângulo
da pá voltado para a chegada do vento se torna tão acentuado que
começa a eliminar a força de empuxo, diminuindo a velocidade das
pás.
- Controle ativo de perda de eficiência aerodinâmica: as
pás neste tipo de sistema de controle de potência possuem passo
variável, como as pás do sistema de controle de passo. Um sistema
ativo de perda de eficiência aerodinâmica lê a geração de potência
do mesmo modo que um sistema de passo controlado, mas em vez de
mudar o passo das pás para desalinhá-las com o vento, ele as altera
para gerar perda de eficiência aerodinâmica.
Veja
Petester's Basic Aerodynamics (em inglês) para uma excelente explicação de empuxo e perda de eficiência aerodinâmica.
Globalmente, pelo menos 50 mil
turbinas eólicas geram um total de 50 bilhões de quilowatt-hora (kWh)
anualmente. Na próxima seção, vamos examinar a disponibilidade de
recursos eólicos e quanta eletricidade as turbinas eólicas podem
produzir realmente.
Recursos eólicos e fatores econômicos
Em uma escala global, as turbinas
eólicas geram atualmente tanta eletricidade quanto 8 grandes
usinas nucleares.
Isso inclui não somente as turbinas de escala de geração pública, mas
também as pequenas turbinas que geram eletricidade para casas ou
negócios individuais (às vezes, usadas em conjunto com fontes de
energia solar fotovoltaica). Uma pequena turbina com capacidade de 10 kW
pode gerar até 16 mil kWh por ano, sendo que uma típica residência
americana consome cerca de 10 mil kWh anuais.

Fotos cedidas por NREL (à esquerda) e stock.xchng
Turbina eólica residencial (à esquerda) e turbina eólica em escala de geração pública
|
Quantos Watts?
Watt (W) - capacidade de geração de eletricidade
1 megawatt (MW, 1
milhão de watts) de energia eólica pode produzir de 2,4 a 3
milhões de quilowatt-hora de eletricidade em um ano.
Quilowatt-hora (kWh): um quilowatt (kW, 1 mil watts) de eletricidade gerada ou consumida em uma hora.
Veja Como funciona a eletricidade para aprender mais.
|
Uma grande turbina eólica típica pode
gerar até 1,8 MW de eletricidade ou 5,2 milhões de kWh anualmente, sob
condições ideais, o suficiente para energizar quase 600 residências.
Ainda assim, as usinas nucleares e de carvão podem produzir
eletricidade mais barato do que as turbinas eólicas. Então, usar
energia eólica para quê? As duas maiores razões para usar o vento para
gerar eletricidade são as mais óbvias: a energia do vento é
limpa e
renovável. Ela não libera gases nocivos como CO2 e óxidos de nitrogênio na atmosfera como faz o carvão (veja
Como funciona o aquecimento global)
e não corremos, tão cedo, o risco de uma escassez de ventos. Também
existe a independência associada à energia eólica, já que qualquer
país pode gerá-la em casa sem necessidade de recorrer a importações. E
uma turbina eólica pode trazer eletricidade para áreas remotas não
atendidas pela rede elétrica central.
Mas há inconvenientes, também. As
turbinas eólicas nem sempre funcionam com 100% da potência, como
muitas outras fontes energéticas, já que a velocidade do vento é
variável. As turbinas eólicas podem ser barulhentas se você viver
próximo a elas, além de serem perigosas para aves e
morcegos.
Em áreas desérticas de solo compactado existe o risco de erosão da
terra se você cavar para instalar as turbinas. Além disso, como o
vento é uma fonte de energia relativamente pouco confiável, os
operadores de usinas eólicas precisam ter um sistema de reserva com
uma pequena quantidade de energia confiável e não-renovável, para as
vezes em que a velocidade do vento diminui. Algumas pessoas argumentam
que o uso de energia poluente para sustentar a produção de energia
limpa anula os benefícios, mas a indústria eólica clama que a
quantidade de energia poluente necessária para manter um fornecimento
estável de eletricidade em um sistema eólico é insignificante.
Colocando as desvantagens potenciais
de lado, os Estados Unidos possuem um bom número de turbinas eólicas
instaladas, totalizando mais de 9 mil MW de capacidade de geração em
2006. Essa capacidade gera cerca de 25 bilhões de kWh de eletricidade,
o que parece muito, mas na verdade é menos de 1% da energia gerada no
país a cada ano. Em 2005, a geração de eletricidade nos EUA se dividia
deste modo:
- carvão: 52%
- nuclear: 20%
- gás natural: 16%
- hidrelétricas: 7%
- outras (incluindo o vento, biomassa, geotérmica e solar): 5%
Fonte: Associação Americana de Energia Eólica
Atualmente, a geração total de
eletricidade nos Estados Unidos está próximo a 3,6 trilhões de kWh a
cada ano. O vento tem o potencial de gerar muito mais do que 1% dessa
eletricidade. De acordo com a Associação Americana de Energia Eólica, o
potencial estimado dessa energia no país é de cerca de 10,8 trilhões
de kWh por ano, algo próximo à quantidade de energia em 20 bilhões de
barris de petróleo (a produção global anual de petróleo). Para tornar a
energia eólica viável em uma determinada área são necessárias
velocidades do vento de 11 km/h (3 m/s) para turbinas pequenas e de 22
km/h para grandes turbinas. Essa velocidade do vento é comum nos
Estados Unidos, apesar dessa fonte não ser bem aproveitada.

|
Quando se trata de turbinas eólicas, a
localização é tudo. Saber quanto vento existe em uma área, qual sua
velocidade e duração são fatores decisivos fundamentais para a
construção de uma fazenda eólica eficiente. A energia cinética do vento
aumenta exponencialmente em proporção à sua velocidade, de modo que um
pequeno aumento na velocidade do vento representa na verdade um
grande aumento do potencial de energia. A regra geral é que, dobrando a
velocidade do vento, obtém-se um aumento de oito vezes no potencial
de energia. Teoricamente, uma turbina em uma área com velocidade média
do vento de 40 km/h irá gerar, na verdade, oito vezes mais
eletricidade do que a mesma turbina onde a velocidade média do vento é
de 20 km/h. Esse fator é "teórico" porque em condições reais há um
limite para a quantidade de energia que uma turbina pode extrair do
vento. Ele é chamado de limite de Betz e é de cerca de 59%. Mas um
pequeno aumento na velocidade do vento ainda leva a um aumento
significativo da geração de energia.

Foto cedida por General Electric Company
Fazenda eólica de Raheenleagh
|
Como na maioria das outras áreas de
produção de energia, quando se trata de capturar a energia do vento, a
eficiência apresenta números significativos. Grupos de grandes
turbinas, chamadas
fazendas eólicas ou usinas
eólicas, representam o uso mais vantajoso em termos econômicos da
capacidade de geração de energia eólica. As turbinas eólicas de escala
de geração pública mais comuns têm capacidades entre 700 kW e 1,8 MW,
e são agrupadas para obter a máxima potência dos recursos eólicos
disponíveis. Elas estão localizadas em áreas rurais com alta
incidência de vento, e a pequena área da base das TEEHs significa que o
uso da terra para a agricultura quase não é afetado. As fazendas
eólicas têm capacidades que variam de uns poucos MW a centenas de MW. A
maior usina eólica do mundo é a Fazenda Eólica de Raheenleagh,
localizada no litoral da Irlanda. Em plena capacidade (atualmente
opera com capacidade parcial), ela terá 200 turbinas, uma capacidade
de geração nominal de 520 MW, totalizando um custo de cerca de US$ 600
milhões para a construção.
O custo da energia eólica em escala
pública foi reduzido drasticamente nas últimas duas décadas devido aos
avanços tecnológicos e de projeto na produção e instalação da
turbina. No início dos anos 80, a energia eólica custava cerca de US$
0,30 por kWh. Já em 2006, a energia eólica custava de US$ 0,03 a 0,05
por kWh nas áreas de vento abundante. Quanto maior a regularidade dos
ventos em uma determinada área de turbinas, menor o custo da
eletricidade gerada pelas mesmas. Em média, o custo da energia eólica é
de cerca de US$ 0,04 a 0,10 nos Estados Unidos.
Diversas grandes companhias energéticas oferecem programas de "
tarifas ecológicas"
que permitem que os consumidores paguem mais por kWh para usar
energia eólica em vez de energia do "sistema elétrico convencional",
que é o resultado de toda a eletricidade produzida na área, renovável e
não-renovável. Caso você escolha adquirir energia eólica e more na
vizinhança de uma fazenda eólica, a eletricidade que usa em sua casa
poderá na verdade ser gerada pelo vento. Com freqüência, o preço mais
elevado que você paga se destina a manter o custo da energia eólica,
mas a eletricidade que usa em sua casa ainda vem do sistema elétrico.
Nos Estados americanos onde o mercado energético foi desregulamentado,
os consumidores podem adquirir "eletricidade verde", diretamente de
um fornecedor de energia renovável, caso em que a
eletricidadeutilizada nas casas definitivamente provém, certamente, do
vento ou de outras fontes renováveis.
Implementar um pequeno sistema de
turbina eólica para suas próprias necessidades é uma maneira de
garantir que a energia que você usa é limpa e renovável. Uma
configuração de turbina residencial ou empresarial pode custar algo
entre US$ 5 mil a US$ 80 mil. Uma turbina de geração pública custa bem
mais. Uma única turbina de 1,8 MW pode custar até US$ 1,5 milhão
instalada, e isso não inclui o terreno, linhas de transmissão e outros
custos de infra-estrutura associados com o sistema de geração eólica.
No total, o custo de uma fazenda eólica está ao redor de US$ 1 mil
por kW de capacidade, de modo que uma fazenda eólica com sete turbinas
de 1,8 MW custa aproximadamente US$ 12,6 milhões. O tempo de retorno do
investimento para uma grande turbina eólica, ou seja, o tempo
necessário para gerar eletricidade suficiente para compensar a energia
consumida na construção e instalação da turbina, é de cerca de três a
oito meses, de acordo com a Associação Americana de Energia Eólica.
Os incentivos governamentais para os
produtores de pequena e larga escala contribuem para a viabilidade
econômica de um sistema de geração eólica. Alguns dos programas de
incentivo incluem:
- Crédito do Imposto de Produção:
basicamente, os produtores de energia eólica, geralmente empresas,
recebem US$ 0,018 (valor de dezembro de 2005) por kWh de energia
eólica produzido para distribuição no atacado durante os primeiros 10
anos de funcionamento da fazenda eólica.
- Medição bidirecional:
neste sistema, os produtores individuais e empresas que produzem
energia renovável recebem créditos para cada kw/h produzido além de
suas necessidades. Quando alguém produz mais eletricidade do que
necessita, seu medidor de energia gira ao contrário, enviando aquele
excesso de eletricidade para a rede elétrica. Ele recebe créditos
pela eletricidade que envia para a rede, que vale como um pagamento
pela eletricidade que ele venha a consumir da rede quando sua
turbina não puder fornecer energia suficiente para sua casa ou
empresa (diversas companhias de energia ignoram esse arranjo, já que
elas essencialmente estão comprando a energia eólica do produtor
individual a preço de varejo em vez do preço de atacado que pagariam a
uma fazenda eólica).
- Créditos de energia renovável: muitos
Estados agora têm cotas de energia renovável para as companhias
energéticas, pelas quais essas companhias devem comprar certa
porcentagem de sua eletricidade a partir de fontes renováveis. Se
alguém com sua própria turbina vive em um Estado que possua o "programa
de crédito verde", ele receberá créditos negociáveis para cada
megawatt-hora de energia renovável gerada por ele em um ano. Então
ele poderá vender esses créditos para as grandes companhias
energéticas convencionais que tentam cumprir a cota de energia
renovável federal ou estadual.
- Créditos do imposto de instalação: o
governo federal e alguns Estados oferecem créditos fiscais para os
custos de instalação de um sistema energético renovável. O Estado de
Maryland, por exemplo, oferece para empresas e proprietários de
terras um crédito de 25% do custo de aquisição e instalação de uma
turbina eólica se o edifício suprido com a energia atender a
determinados "critérios ecológicos".
Apesar da energia eólica ainda ser
subsidiada pelo governo, ela é atualmente um produto competitivo e, por
todos os critérios, pode caminhar por si mesma como uma fonte viável
de energia. O Battelle Pacific Northwest Laboratory, um laboratório de
ciência e tecnologia do Departamento de Energia dos EUA, estima que a
energia eólica sozinha é capaz de suprir 20% da eletricidade do país.
A Associação Americana de Energia Eólica coloca esse número em um
teórico 100%. Seja qual for a estimativa correta, os Estados Unidos
provavelmente não atingirão essas porcentagens tão cedo. A Associação
Americana de Energia Eólica avalia que por volta de 2020, o vento
fornecerá 6% de toda a eletricidade nos EUA. Embora os Estados Unidos
possuam uma das maiores bases instaladas de energia eólica no mundo em
termos de potência total em watts, a participação porcentual se
encontra bem atrás de outros países desenvolvidos. O Reino Unido
possui meta estabelecida de 10% de geração eólica em 2010. A Alemanha
gera atualmente 8% de sua energia do vento, enquanto a Espanha 6%. A
Dinamarca, líder mundial em consumo de energia limpa, obtém mais de
20% de sua eletricidade do vento.
Para mais informações sobre energia eólica e assuntos relacionados, verifique os links na próxima página.
No Brasil
O potencial eólico brasileiro é de
143,5 GW (GigaWatts), segundo um estudo da
Centro de Pesquisa em Energia Elétrica (Cepel) do
Ministério de Minas e Energia feito em 2005. O estudo levou em conta
geradores de energia eólica de até 50 metros. Com o avanço tecnológico
no setor, que permite geradores de até 80 metros atualmente no
Brasil, o potencial cresceria mais ou menos 50%.
"Quanto mais alto, mais potencial
eólico, já que vão diminuindo os problemas com relevo e rugosidade do
solo", afirma o pesquisa da Cepel Antônio Leite.
Esse potencial de 143,5 GW representaria a geração de energia de
146 milhões de residência.
Essa conta, no entanto, é só ilustrativa. A energia eólica não é
energia firme, ou seja, com fornecimento constante. Assim, sua energia é
armazenada em baterias ou trabalha em conjunto com as
hidrelétricas,
ajudando, por exemplo, no abastecimento dos reservatórios dessas
usinas. O potencial instalado no Brasil é atualmente de 247,5 MW
(MegaWatts), ou seja, 0,25% dos 99,7 GW gerados no país, segundo dados
de dezembro de 2007. A tabela abaixo mostra dados de seis meses
antes.
| Usinas Eólicas em Operação |
| Usina |
Potência (kW) |
Município |
| Eólica de Prainha |
10.000 |
Aquiraz - CE |
| Eólica de Taíba |
5.000 |
São Gonçalo do Amarante - CE |
| Eólica-Elétrica Experimental do Morro do Camelinho |
1.000 |
Gouveia - MG |
| Eólio - Elétrica de Palmas |
2.500 |
Palmas - PR |
| Eólica de Fernando de Noronha |
225 |
Fernando de Noronha - PE |
| Mucuripe |
2.400 |
Fortaleza - CE |
| RN 15 - Rio do Fogo |
49.300 |
Rio do Fogo - RN |
| Eólica de Bom Jardim |
600 |
Bom Jardim da Serra - SC |
| Eólica Olinda |
225 |
Olinda - PE |
| Parque Eólico do Horizonte |
4.800 |
Água Doce - SC |
| Macau |
1.800 |
Macau - RN |
| Eólica Água Doce |
9.000 |
Água Doce - SC |
| Parque Eólico de Osório |
50.000 |
Osório - RS |
| Parque Eólico Sangradouro |
50.000 |
Osório - RS |
| Parque Eólico dos Índios |
50.000 |
Osório - RS |
| Total: 15 Usina(s) |
Potência Total: 236.850 kW |
O crescimento da capacidade instalada no
país se deve em grande parte pelos incentivos que o governo federal
tem dado para o assunto.
O Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), administrado pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
trata-se de uma linha de crédito prevê financiamento de até 70% do
investimento, excluindo apenas bens e serviços importados e a
aquisição de terrenos. As condições do financiamento são TJLP mais 2% e
até 1,5% de spread de risco ao ano. A carência de seis meses, após a
entrada em operação comercial, amortização por dez anos e
não-pagamento de juros durante a construção do empreendimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário